"Somente aquele que é senhor de si é livre - e ninguém é senhor de si se não agüenta nem olhar, sozinho, para dentro de seu próprio coração" Olavo de Carvalho
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Quinta-feira, Março 30, 2006
A Falsa Autoridade da Ignorância
Li a reportagem do FHC, sobre FHC na Veja. Uma das perguntas feitas a FHC foi:
¿Na conclusão de A Arte da Política, o senhor diz que Lula se perdeu nos escaninhos do poder e suas facilidades. A falta de preparo intelectual não teria tido um papel nessa perdição?¿
Resposta: Pode ter tido, sim, porque se você tem um certo preparo fica mais difícil deslumbrar-se. A capacidade de autocrítica é maior, tem-se mais noção da transitoriedade das coisas. O preparo intelectual também permite que você perceba que herdou muito. O presidente Lula dá a impressão de que acha que está fundando o Brasil. Acho que isso é autêntico nele, porque o Lula não tem um conhecimento mais profundo da história. Então, acredita mesmo que está fazendo tudo pela primeira vez..
Quando li esta resposta do FHC, caiu a ficha: uma vez que você não conhece nada, tudo o que você diz é novidade. A única coisa que às vezes a pessoa não percebe, é que é novidade PARA ELA. Para os mais cultos que ela, isso é etapa passada, estrada andada.
Infelizmente, a ignorância em maior ou menor grau, não é um adjetivo de exclusividade do Lula. Todos somos menos ou mais ignorantes perante a umas e a outras pessoas, evidentemente.
Mas, o problema começa quando a arrogância se junta à ignorância. E este é o sintoma que o FHC, se percebeu, não descreveu, talvez para não ser indelicado, pois todo mundo tem medo de dizer às claras alguma coisa negativa sobre o Sr. Silva.
Além de não conhecer o passado, o cara acredita que sabe muito mais do que quem o estudou. E este é o real problema do Sr. Silva e que também não é exclusividade dele.
Tenho participado de algumas discussões em fóruns sobre diversos assuntos. E, invariavelmente, aparece o sujeito, que muitas vezes é o menos preparado sobre o assunto em questão, embuido de toda a autoridade da sua própria ignorância, querendo moderar o debate.
O cara se coloca acima dos demais debatedores, vindo com arzinho de superioridade:
- Olha, gosto muito de tal debatedor, mas o problema é que ele é muito ....
Ou,
- Acho que as pessoas deste debate tomam posições muito radicais e com isso o debate fica impossível...
E por aí vai. O sujeito é tão despreparado que ele não consegue sequer entender as posições que as pessoas estão colocando no debate, de um lado e de outro, e se acha no direito de subir um degrau acima de todo mundo e dar uma de superior.
Eu também desconheço muita coisa e às vezes, quando coloco algumas posições para alguns amigos, até mesmo em caráter particular, sinto que o cara do outro lado responde com alguma condescendência. Oras, quando você percebe isso, significa que você deve ir para casa ler mais um pouco e fazer uma pergunta mais decente da próxima vez para o seu amigo, que somente está respondendo porque é seu amigo. Mas esta estrada já foi andada por ele. E ele só está respondendo a você, por caridade, for God's sake!
09:10
Quarta-feira, Março 29, 2006
Quebras de Sigilo
Em se falando em sigilo, uma coisa que eu tenho descoberto é que ele simplesmente não existe. Nos últimos três meses, estive em duas situações que me causaram estranheza.
A primeira delas foi ao comprar uma mesa de jantar. Como a compra seria parcelada, eles solicitaram todas as informações de praxe para verificarem se eu era digna de confiança. Normal, afinal de contas, se eles não receberem o que eu prometi pagar, não poderão simplesmente pedir a mesa de volta. No fundo, a única coisa que eles podem fazer é "sujar" meu nome na praça. Qualquer outra atitude, não poderá ser tomada, pois a justiça é lenta e custa, provavelmente, mais que a mesa.
Como eu não tenho holerits, pois eu tenho uma micro-empresa, eu tive que passar o CNPJ da empresa. Qual não foi minha surpresa, quando a moça do crédito me disse que não estava achando meu nome como sócia da empresa no sistema.
- Como assim? Você tem acesso ao nome dos sócios da empresa pelo número do CNPJ?
- Sim, aparece o nome dos sócios. E aparece também se existem outras empresas no nome da pessoa.
Eu fiquei indignada. Não devo nada a ninguém, mas uma coisa é uma ligação ao SERASA ou mesmo ao SPC e perguntar sobre a idoneidade da pessoa. Estas empresas pelo que tratam, tem uma imagem a zelar e devem manter o sigilo das informações, não repassando a outros, mas simplesmente encaminhando a resposta: sim, pode confiar; não, não é confiável. Outra coisa, muito diferente, é qualquer atendente de loja (sem desrespeito, só para mostrar a abrangência do que acontece) ter acesso ao meu histórico pelo CNPJ. Não perguntei quais as outras informações que o sistema oferece à pessoa que consulta. Talvez a minha declaração de imposto de renda (coisa que aliás, me solicitaram para provar que podia pagar - afinal, meu nome não apareceu, por um bug sei lá eu de quem, no dito sistema, graças a Deus).
Esta semana, de novo. Fui comprar um sapato de criança, que custou exatos R$25,99. Dei um cheque. Vi que a moça estava digitando um número que ela lia no cheque em uma maquininha. Eu não sei o que ela digitou, mas descobri, porque ela disse que o endereço - isto mesmo - o endereço não estava batendo.
Eu perguntei, de novo:
- Como assim?
- Não é que o telefone não consta no mesmo endereço do assinante do cheque - claro, porque eu coloquei o telefone do trabalho e não de casa.
Eu sai da loja indignada. E pelo olhar do gerente, ele estava indignado, porque eu estava indignada. Era como se ele estivesse me dizendo - oras porque você não quer que saibamos o seu endereço?
- Eu não quero, porque não quero. Vou saber lá eu quem você é? Se você pode desconfiar de mim, eu também posso desconfiar de você.
Portanto, para ser livre, hoje em dia, você deve ser um joão-ninguém. Como o MST. Não tenha CPF. Não faça a sua declaração de imposto de renda e cancele seu CPF. Feche sua empresa. Compre uma barraquinha de camelô e vai para a rua vender bugiganga pirata. Se eles te pegarem, não irão multá-lo, porque a sua empresa não existe e você também não existe. Só vão querer levar a mercadoria (mas considerando a economia de imposto, o risco tá valendo - faça uma análise de risco e veja quanto de mercadoria você pode ter consigo na barraca para não levar prejuízo se o rapa pegar). Você poderá distribuir papelzinho de propaganda do seu negócio, no semáforo, sem se preocupar com a fiscalização, afinal, você não existe. E pague tudo em dinheiro ou com cheques de terceiro. Pena que não tem mais passe de ônibus, você podia trocar por mercadoria na sua barraquinha, e nem precisar andar com dinheiro.
Depois de tomadas todas estas providências, você pode até falar mal do governo.
11:00
Segunda-feira, Março 27, 2006
Aliás, eu já disse aqui...
No dia em que começarem a colocar os Marcos Valérios, Delúbios e outros em cana, vai ver como tem mais gente que vai para o buraco. Bastou indiciar o Presidente da Caixa que ele entregou rapidinho o ouro. Enquanto existirem habeas corpus preventivo, vai ser essa balela.
19:17
Frase Do Ano, Ou Melhor, Frase do Governo Lula
A frase abaixo é aquela que eu, pelo menos, e mais uma boa leva de brasileiros gostaram de ver, principalmente proferidas por este cidadão que foi o exemplo do que os petistas são capazes de fazer com quem discorda ou ameaça seu poder, coisa que, por sinal, qualquer pessoa que já tenha convivido com os tais no poder, sabe muito bem:
- Está ficando provado que o lado mais fraco não é o de um simples caseiro. É o da mentira.
É isso. Muito bem, Francenildo!
19:12
Domingo, Março 26, 2006
Balé
Neste país, não existe mais nada sem um fundo político. Isso, sinceramente enche o saco!
Desde que o politicamente correto virou moda, somos obrigados a ver discussões, muitas vezes toscas, em qualquer evento, seja escolar, religioso ou simples diversão.
No fim-do-ano passado, fui ver a peça da escola da minha filha. A peça, por ser de escolinha maternal, estava fantástica. É um estudante de artes cênicas que dirige e faz a criançada entrar em forma. Mas, o cara é muito bom, pois ele faz uma peça de teatro mesmo. Grava todas as falas antes, a criançada entra, de acordo com a idade e faz o espetáculo. Mas, claro, no meio, sempre tem a mensagem politicamente correta. Desta vez, a mensagem foi relacionada ao abandono de crianças e depois uma mensagem final contra o preconceito.
Ontem, fui ao balé da minha filha. Eu, sei lá eu porque, nunca gostei e ainda não gosto de balé. Acho chato. Mas minha filha acha um sonho. Fomos lá, então. Estava tudo muito legal, tudo certo. O tema era as diversas fases do amor. Mas no fim do espetáculo, entrou o tema da violência. Claaaaro. E lá vem o espetáculo mostrando as bailarinas vestidas de farrapos e simulando a violência, o tiro, o enterro.
Enfim, não é possível neste país ir a qualquer evento, sem ter que ser submetido a discussão do problema social. Você é obrigado a falar neste assunto, a ver este assunto.
Será que não é possível fazer uma peça, um evento ou qualquer coisa que seja, sem misturar tudo? Será que não é possível que se faça um espetáculo só sobre o amor. Ou sobre a chapeuzinho vermelho, com lobo. Mas sem fazer uma alusão, transformando o lobo em alguma coisa que faça referência a nossa sociedade ingrata e culpada?
Podemos falar de violência, sem problemas. Mas então, digamos que o tema da peça ou do espetáculo é a violência. Mas quando optarmos falar do amor, que falemos de amor.
19:27
A Festa da Pizza
O Davi, do blog Efeitos Colaterais, fez uma versão bem interessante da música da Ivete Sangalo, para descrever o que acontece lá em Brasília.
Hoje tem pizza no Congresso
Pode vir, pode chegar
Quase todos mensaleiros
Conseguiram escapar
Hoje tem pizza no Congresso
Pode vir, pode chegar
Quase todos mensaleiros
Conseguiram escapar
Pizza de todo sabor
De tomate e calabresa
E o deboche da baranga
Sambando por entre as mesas
Vai lá, pra ver
A gorda se balançar
O chão da terra tremer
Essa não vai dá mais pra agüentar
Avisô, avisô, avisô, avisô
Que vai rolar a pizza, vai rolar
O Congresso Nacional mandou avisar
Que vai rolar a pizza, vai rolar
08:58
Sábado, Março 25, 2006
O Direito À Vida É Um Limite À Democracia
A frase é de João Paulo II, mas eu a vi em um texto de Cícero Herada. É tão simples e fabulosa, pois nenhuma decisão democrática pode atentar ao direito à vida.
Eu sempre tive dúvidas quanto à democracia, porque pela democracia pode-se eleger um crápula que comprou (literalmente comprou) 51% da população para explorar os outros 49%. Mas ao mesmo tempo, nunca consegui vislumbrar um modelo melhor que a democracia, pois de forma nenhuma, um modelo que exclua algum ser humano pode ser melhor que outro. E de fato, a democracia sempre permite que você tire o cara (exceto no Brasil, pois como bem disse Diogo Mainardi, se não conseguimos tirar os deputados que o povo acha que deveriam ser cassados, a democracia não está servindo para muita coisa).
Mas parte do meu erro, consiste em acreditar que a democracia é um absoluto. E não é. Existem limites fora dos quais a democracia não pode ser considerada correta. E a vida é um deles, com certeza.
16:36
Resumo Muito Feliz
Eu vi no Se Liga um resumo sobre a semana que passou. E concordo totalmente com ele.
Meu sentimento foi de muito desânimo, durante esta semana, diante de tanta estupidez, tanto abuso de poder e de tanta impunidade.
Que País Chinfrim! Que Povo Desonesto!
14:11
Eu Quero Saber
A PF disse que não divulgará o nome dos responsáveis pela quebra de sigilo do caseiro. Como assim? Então, revela-se os maiores detalhes da vida de um caseiro e não vão revelar publicamente quem fez isso com ele?
E isso não tem nada a ver com o governo, não. Claro que não. Se não fosse o governo que estivesse no meio desta história sórdida, já teriam tratado imediatamente de divulgar o nome do culpado, para livrar a própria cara, coisa típica do partido ditador que se instalou no Planalto.
Agir desta forma, para qualquer pessoa que pensa, é assumir culpa. Infelizmente, neste país, tem pouca gente pensando.
09:46
Quinta-feira, Março 23, 2006
De Novo, Outra Vergonha
Eu estou pasmada com o que tem acontecido no Congresso Nacional. E agora, todos dizem que devemos votar nulo. Votar Nulo? E daí? Eu já votei nulo e olha só no que que deu.
Na minha opinião, deveríamos criar uma campanha diferente: não reeleja nenhum deputado. Não reeleja nenhum senador (eu sei que eu sonho, eu sei - vão todos se eleger de novo)
- Ah, mas fulano é bom. Ele vai pagar pelos outros?
Vai, vai sim. Fulano é bom e não fez nada? Então vai pagar junto.
- E Beltrano, coitado. Ele tentou fazer e não conseguiu!
Bom, devia ter conseguido. Dançou, vai junto.
Vamos renovar 100%. Assim, quem sabe os caras acordam!!
08:25
Quarta-feira, Março 22, 2006
E Agora J.K.
E no mesmo texto:
"Os que estão me atacando hoje atacaram JK. Eu duvido, por exemplo, que alguém tratou melhor o sem-terra como eu tratei", afirmou. Um dos integrantes da comitiva do presidente era o deputado Josias Gomes (PT-BA), um dos envolvidos no chamado esquema do mensalão contra quem corre processo no Conselho de Ética da Câmara.
Depois da tal mini-série, temos que ouvir o Lula se comparando a J.K., o tempo todo. Ai, meu Deus. Dai-nos paciência!
Mas, realmente serei justa com o Presidente, quando ele diz a verdade. É verdade que NINGUÉM tratou melhor o sem-terra do que o Presidente Lula. Vimos, muito recentemente, o episódio bizarro de mulheres, em nome da Via Campesina, invadirem propriedades, destruirem propriedades. E além disso, propriedades que geram empregos, que geram melhorias de vida para os seus funcionários e que trazem muitas divisas ao país.
E nós vemos o Presidente enaltecer o movimento e a si mesmo, em ato público, falando dos sem-terra, como se o que aconteceu há duas semanas não fosse nada.
11:45
Mais Uma
De novo, as mesmas coisas do Sr. Silva:
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu hoje a dimensão da crise que o governo enfrenta com as novas denúncias contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci"
Mais a frente...
... Ele classificou de "baixo nível" as denúncias contra o ministro Palocci e disse estar disposto a entrar na briga para defender o governo. "Um presidente da República não pode responder a todas as ofensas e ataques. Mas quem me conhece sabe que eu gosto de uma briga, adoro uma briga", afirmou Lula. "Agora, sou presidente e não posso responder a caca baixo nível que fazem contra mim"
Mas a pior parte foi esta:
"Podem fazer as políticas que quiserem. No campo da política, sou democrático. Mas não me peçam destratar o pobre como cidadão", afirmou.
Democrático? Como assim, democrático? Todo dia vemos a relutância do governo em auxiliar as investigações da CPI. Estamos vendo a Senadora Ideli Salvatti criticar a solicitação de quebra de sigilo do filho que está sob suspeita, mas não vemos a defesa do pobre cidadão acima citado, que teve seu sigilo quebrado arbitrariamente, única e exclusivamente porque ousou falar contra o todo poderoso Ministro da Fazenda.
Ninguém está pedindo ao senhor para destratar o pobre cidadão. Não vem botar a culpa em outro, não. Quem está destratando é o governo petista para defender o poder a qualquer custo. Nós estamos pedindo justamente o contrário. Para que trate o pobre cidadão, democraticamente e respeitando os seus direitos.
11:21
Terça-feira, Março 21, 2006
Está cheirando mal
Li esta notícia no site do Terra:
"O representante brasileiro do site de buscas Google respondeu à intimação feita pelo Ministério Público Federal de São Paulo em relação aos crimes cometidos no site de relacionamento virtual Orkut"
A notícia fala sobre o fato do Ministério Público estar querendo o intercâmbio de dados, fornecendo informações que levariam aos criminosos. No entanto, ao final da notícia, tem o seguinte esclarecimento:
... apresentou ao executivo um termo de cooperação que permitirá o intercâmbio de dados. Segundo o procurador, o termo faria com que o Google se comprometesse, sob ordem judicial, a fornecer informações que levariam aos criminosos. NO TERMO, CRIMES COMO VENDA DE DROGAS E COMÉRCIO ILEGAL DE MEDICAMENTOS CONTROLADOS NÃO ESTARIAM INCLUSOS" (As letras maiúsculas são minhas).
Eu gostaria de saber que tipo de crime eles estarão querendo buscar, se venda de drogas e comércio ilegal de medicamentos não estão no termo.
11:25
Quinta-feira, Março 16, 2006
Com atraso
Já comentei aqui uma vez que manter índios em reservas, como fazemos, é desumano. Esta desculpa de preservar a cultura indígena é patética. É como tirar deles a chance de terem uma vida melhor, para ficarem lá para alguém de fora ter a possibilidade de acesso a esta cultura, preservada para o seu prazer pessoal. Assim o sujeito pode ir visitar e ver uma cultura "não-contaminada". É mais besta ainda, quando estas culturas têm mais e mais registros históricos.
Comento aqui, com atraso, a entrevista de Kwame Anthony Appiah nas Páginas Amarelas da Veja de 08 de março.
Na entrevista, ele trata de um tema que os brasileiros estão completamente desacostumados: o absurdo da tentativa de preservar a pureza das culturas regionais.
Para ele, "não há melhor maneira de garantir respeito cultural a um povo do que lhe dar empregos bem pagos" e que "as parcelas de uma sociedade que resistem mais à influência de culturas externas são em geral aquelas que tem alguma forma de poder a preservar"
A primeira pergunta é: qual cultura é mais rica, a que absorve outras culturas, ou aquela que é absorvida? É óbvio que um país que estuda outra cultura, incorpora palavras estrangeiras dentro do seu dia-a-dia e tem acesso à outras "identidades culturais" é culturalmente mais rico que um país que fica aí no seu mundinho, criando "O Dia Nacional do Saci-Pererê".
A quem interessa que os cinemas brasileiros sejam obrigados a passar cotas de filmes brasileiros? Com certeza não é ao povão, que muitas vezes preferiria ver cinco vezes os filmes do Jean-Claude Van Damme a ter que ver uma única vez aquele filme chato do Rodrigo Santoro, Abril Despedaçado.
Oras, se bons filmes forem feitos, as pessoas irão assistir. E é a mais descabida mentira, que não é possível competir com a indústria hollywoodiana, a começar pela quantidade de subsídios que se consegue neste país para fazer porcaria. Se o filme for bom, as pessoas irão assistir. Renato Aragão está aí, para desmentir todo mundo. Durante toda a época em que o cinema brasileiro não produzia nada além de pornochanchada, os trapalhoes (que saudade!) enchiam salas e salas de cinema.
Os bons filmes brasileiros são gostosos de ver porque trazem o nosso jeito, as nossas gírias, são mais próximos. Muitos dirão, que então é melhor que se dê prioridade aos nossos filmes. Não, caramba. É bom que as pessoas escolham aquilo que querem ver: se a droga do Van Damme ou se o chato do Abril Despedaçado.
22:19
Terça-feira, Março 07, 2006
Plágio da Paglia
Nunca li Camille Paglia. Nada. Mas acho que esta frase, que coloco abaixo, eu vi numa entrevista dela.
Mas, como não sei muito bem o contexto no qual ela disse isso, porque faz muitos anos, e nem sei se a frase é exatamente assim, vou dizer como se fosse minha, no contexto deste artigo:
"Se toda mulher andasse com uma faca embaixo da saia, provavelmente muitos homens desistiriam de atentar contra elas"
É isso que as mulheres têm que fazer: Aikido, jiu jtisu, qualquer coisa. E, principalmente, andar com uma faca embaixo da saia.
Vou ensinar isso para as minhas filhas e comprar umas facas para elas.
17:34
Domingo, Março 05, 2006
E Por Falar Em Documentário...
Há algum tempo atrás, postei o seguinte:
Identidade Brasileira
De vez em quando, vemos algumas pessoas tentando dizer algo a respeito da identidade brasileira, o que em comum todos os brasileiros possuem, a tal "brasilidade". Alguns dizem que é a criatividade (sic), outros a alegria, outros a receptividade do povo brasileiro.
Não sei se realmente estas coisas dão um pouco a cara do Brasil, mas sei que tem uma coisa que é a "cara do Brasil": a bunda.
De esportista famosa a sem-terra gostosa, deu uma brechinha, pronto, lá tá ela sem roupa.
Agora é a vez dos personagens do Mensalão. Ninguém tá muito preocupado se roubou ou não. Dá para tirar a roupa?
Realmente, este país não é sério!
E agora, o GNT está exibindo um documentário chamado "Preferência Nacional - Tem Que Rebolar
E advinhem sobre o que o documentário está falando?? Isso mesmo. Sobre a bunda. Viu, como eu tinha razão? Merece até documentário.
09:21
Lembrando do Documentário
Lendo hoje este texto do Olavo de Carvalho, lembrei prontamente do documentário do ônibus, que mencionei aqui uns posts atrás (Só de Sacanagem).
09:11
Sexta-feira, Março 03, 2006
Aferição de Saúde Mental
Toda pessoa que estuda muito precisa sempre ter um método de aferição de sua saúde mental. A quantidade de pessoas hoje dentro de determinados círculos com profunda demência (não sei se em termos médicos, demência é exatamente isso) mental é muito grande.
Quando eu era criança (dirão alguns - faz teeempo) e ouvia os adultos falarem em demência mental, eu sempre tinha a imagem de uma pessoa incapaz de concatenar nada, de jamais poder entender a simples conta 2+2 = 4.
Tinham também os loucos, que conseguiam entender algumas coisas, mas tinham fisicamente uma aparência perturbada. As crianças é quem identificavam rapidamente estas pessoas. Eu lembro. Olhava e achava que o rapaz ou a moça "não batia bem".
Meu método para aferir, não só o que penso e o que falo, mas também o que ouço é o método do "Seu Amadeo". Na realidade, o nome do Seu Amadeo não é Amadeo. Mas resolvi não colocar o nome da pessoa aqui para não induzir pessoas com as demências que irei descrever a pensarem que estou menosprezando a pessoa do Seu Amadeo, quando muito pelo contrário, tenho muitíssima consideração por ele.
Seu Amadeo é pai de uma garota que conheço. Ele deve ter por volta de 55 anos. Embora não seja estudado, não é ignorante e acha importante que se estude. Não tem dinheiro sobrando, mas vive com muita dignidade. Tem três filhos, a esposa, carro, televisão, casa própria. Uma filha já casou, outra faz faculdade. Eu considero o Seu Amadeo, o homem do senso comum.
O Seu Amadeo funciona como um padrão de aferição das coisas absurdas que eu ouço de alguns. Então, quando eu ouço algo como:
Bom... para mim o critério de ser humano ou não é ter consciência da própria finitude (isso é, de que vai morrer). Dizem que em geral isso ocorre lá pelos 7 anos. Na prática, é-se humano quando alguém nos considera humano a ponto de nos sustentar. Assim, penso que o aborto deveria ser permitido sem restrições, bem como o infanticídio, embora, nesse último caso, devesse ser dada a opção da criança ou se virar sozinha ou de achar outro adulto,(...)
Eu pergunto: o que o Seu Amadeo acharia se ouvisse isso?
Provavelmente ele olharia para mim e diria: interna, que é demente.
Calma, Seu Amadeo, vou dar mais uma amostra:
Assim, penso que os pais devem poder espancar (se pensam que a criança tem jeito) ou matar, se consideram que não tem jeito ou não são equilibradamente "gratificantes" (se são crianças ingratas ou chatas). Seria prudente, em todo caso, exigir que tais crianças fossem primeiro oferecidas e só se ninguém as quisesse adotar seriam liberadas para o sacrifício. Isso, parece-me, não entra em contradição com a responsabilidade pela criação dos filhos.
Por outro lado, deveria ser vedada a crueldade gratuita ....
E mais uma:
Se até agora todas estas conclusões pareceram chocantes demais para serem corretas, vale-nos lembrar que certamente a condenação do infanticídio é uma concepção cristã, haja vista que muitas comunidades, que variam desde o ponto de vista geográfico quanto do ponto de vista temporal, praticavam-na, como por exemplo, o Taiti, a Groelândia, a Grécia antiga, a China, entre outras; em alguns casos não só era visto como uma prática correta como algo moralmente obrigatório, e a nossa mudança de opinião sobre o aborto não se deve a outro fator se não ao catolicismo.
É evidente que não se pretende sugerir que alguém que saia matando bebês por aí, ao acaso, esteja agindo em pé de igualdade com uma mulher que faz um aborto. No caso do infanticídio, devem-se adotar condições muito rigorosas para sua prática, pois matar um bebê seria algo terrível para aqueles que o amam e o cuidam.
As duas primeiras é de um cara com formação em filosofia (não posso chamá-lo filósofo pois isso iria ofender os verdadeiros filósofos), que diz que trabalha com "Assistência jurídica a pessoas de baixa renda (até R$700,00... US$350,-) sob a supervisão de advogados. Estudo dos casos, aconselhamento, elaboração de petições, contestações, acompanhamento em audiências etc."
A última, de um estudante de filosofia da Faculdade de Filosofia de Londrina
E é isso que eu tenho visto: gente que tem estudo, que cursa ou cursou as faculdades públicas com dinheiro de imposto de todos nós e do Seu Amadeo (cuja filha paga a sua faculdade com salário próprio, diga-se de passagem).
Que ninguém entenda que minha preocupação é econômica, que é pelo mau uso do imposto, na educação de gente imbecil. Minha preocupação é moral. Estamos utilizando dinheiro para gerar isso? Para vermos este tipo de comentário?
Portanto, para as pessoas que são inteligentes e utilizam sua razão e trabalham com a lógica no seu dia-a-dia, digo:
- Achem já o seu aferidor. Pense em alguém para ser o seu "Seu Amadeo". E quando você falar ou ler alguma coisa, que o seu "Seu Amadeo" responderia: "isto é uma tremenda besteira", ou olharia para você com um olhar perdido de desespero, pare e pense tudo de novo. E veja se você não está se tornando um destes dementes.
16:34
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